Na regularização imobiliária e nos projetos de incorporação, um erro bastante comum é presumir que apenas a confrontação física entre os imóveis já garante a viabilidade da unificação registral. No entanto, esse entendimento é equivocado.
Isso porque a legislação exige muito mais do que imóveis contíguos: é necessária uma coerência jurídica e técnica entre as matrículas envolvidas, o que significa que cada detalhe deve ser verificado com atenção antes de avançar.
O que costuma travar muitos processos é justamente a ausência de verificação prévia de alguns requisitos essenciais. Para que duas ou mais matrículas possam ser unificadas, elas precisam obrigatoriamente:
Ter todas as medidas lineares corretamente descritas;
Apresentar a área total do terreno de forma clara e precisa;
Ser efetivamente contíguas;
Estar sob a mesma titularidade;
Não apresentar sobreposição registral e/ou física em relação a terceiros.
Caso algum desses pontos não seja atendido, a unificação não poderá prosseguir. Nesse cenário, o passo correto é regularizar a matrícula antes de protocolar qualquer solicitação de unificação.
Para que o processo de unificação não se transforme em um entrave, é indispensável seguir algumas boas práticas, como:
Certificar-se de que todas as matrículas possuam descrição completa, medidas lineares adequadas e fechamento de área;
Verificar com antecedência a uniformidade da titularidade;
Solicitar levantamento georreferenciado completo, garantindo precisão técnica;
Analisar se há compatibilidade entre o registro e a situação física dos imóveis;
E, caso necessário, retificar a matrícula antes mesmo de protocolar a unificação.
A unificação de matrículas é uma etapa fundamental para a incorporação. No entanto, sem uma análise prévia e criteriosa, esse processo pode facilmente se tornar um grande obstáculo, atrasando ou até inviabilizando o registro da incorporação imobiliária.
Assim, investir no diagnóstico técnico e jurídico antes de dar entrada na unificação não deve ser visto como algo opcional, mas sim como um passo essencial para garantir agilidade, segurança e previsibilidade ao seu projeto.
Você já enfrentou dificuldades em processos de unificação de matrículas? Quais foram os maiores desafios em relação às exigências cartorárias ou às incompatibilidades técnicas? Compartilhe sua experiência nos comentários e vamos abrir esse debate para ajudar outros profissionais e proprietários a evitarem dores de cabeça.
Priscila Liberato
Engenheira Civil | Retificação de Área
Tags: Unificação De Matrículas | Retificação De Área | Registro De Imóveis | Regularização Imobiliária | Incorporação Imobiliária
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